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Seminário Internacional Vital Medeiros com novo fôlego
por Jorge Santos (Bacharelando em Violão na UNIRIO)

Prova de insistência e espírito empreendedor, o VII Seminário Internacional Vital Medeiros consolida-se no cenário violonístico brasileiro como um dos eventos mais relevantes do calendário nacional. Esta edição teve lugar na cidade de Suzano - vizinha a até então sede do evento Mogi das Cruzes - e contou com um apoio institucional da prefeitura Municipal de Suzano significativo, que possibilitou uma estrutura de qualidade que incluía café da manhã, alojamento, master-classes, palestras e concertos, por um preço praticamente simbólico. A programação, a cargo do diretor artístico Gilson Antunes, primou pela diversidade e qualidade, apresentando também alguns nomes até então obscuros aos ouvidos tupiniquins. Uma das características do Seminário é a intensa programação de atividades didáticas que otimiza o tempo dos alunos, caracterizando um verdadeiro mergulho na programação e a sensação de que o tempo fora bem empregado para os alunos oriundos de mais de 15 estados brasileiros.


A série de concertos foi aberta em 01/05 pelo jovem violonista Luciano César Morais, que tocou um exigente programa incluindo obras de John Dowland e o Nocturnal de Benjamin Britten, demonstrando cuidados na sua condução do discurso musical. Os recitais da noite mostraram o violão no seu caráter mais autoral. Camilo Carrara, músico mais associado ao cenário da música popular brasileira, apresentou obras de seu CD Canção do Sol Nascente, com arranjos de melodias tradicionais japonesas. A seguir, o violonista chileno Javier Contreras tocando obras de sua autoria, surpreendendo o público com a engenhosidade e virtuosismo indefectível de suas obras, que evocaram a imagem de Agustín Barrios. O segundo dia de concertos foi marcado pela tradição. O violonista piauiense Erisvaldo Borges é prova viva da força do violão brasileiro. De um virtuosismo assombroso, e uma linguagem interpretativa e autoral pessoal, o músico é uma referência na região nordeste e mereceu a atenção e aplausos de todos. Os dois concertos da noite trouxeram Maria Haro e Juan Francisco Ortiz. A violonista uruguaio-brasileira, professora da UNIRIO e membro fundadora da AV-RIO, apresentou um concerto marcado pela verve que lhe é peculiar e pela sonoridade sólida e marcante. O franco-espanhol Juan Francisco Ortiz é descendente direto da tradição segoviana. Seu concerto trouxe um misto de nostalgia e fino pensamento musical, polidos por uma sonoridade cristalina e um repertório pouco tocado. O terceiro dia de concertos poderia ser chamado de "panorama do violão de concerto na atualidade", com programas que mostram a força do violão de concerto atual na América do Sul. João Carlos Victor é um dos nomes de destaque certo no cenário violonístico num futuro breve, não apenas brasileiro, mas possivelmente internacional. Dono de uma facilidade técnica pouco comum, o músico baiano parece começar a atingir a tão difícil maturidade musical, dando mostra de pensamento musical próprio - demonstrada pela sua interpretação da Chaconne, de Bach, serena e de digitação e articulação bastante pessoal. Músico maduro, de grande conhecimento estilístico e poderosa imaginação musical, Walter Ujaldón realizou o que possivelmente foi o melhor concerto do Seminário. Honrou a tradição argentina com especial destaque para suas transcrições de Haydn e Mozart e sua interpretação equilibrada e precisa da Sonata Op.47 de Ginastera. O último dia nos trouxe o concerto do capixaba Moacyr Teixeira Neto com um programa de obras latino-americanas, com estréias de obras brasileiras e bolivianas. O Seminário foi encerrada pelo Duo Argentis, composto pelos violonistas mexicanos Martin Candelária e Maurício Hernandez. Criado em 2007, o Duo já demonstra uma intimidade musical afinada, com um gosto refinado ora em obras de bastante exigência técnica ora em peças de caráter marcadamente romântico. Mais uma vez há que se ressaltar a iniciativa de Juraci Barros, que marca seu nome na história recente do violão no Brasil pela importância que o Seminário ganhou ao longo dos anos, assim como Gilson Antunes, sempre levando a frente projetos que enriquecem e projetam a música e os músicos do Brasil e alhures.